Palavras são traiçoeiras. Para surgirem e inundarem nossos pensamentos, um pequeno acicate é o suficiente . Quantas vezes não nos arrependemos de falas proferidas? Desejamos repetir o momento, trocar letra por letra o discurso.
No luto pelo que foi dito, chegamos a pensar em como teria sido melhor nada dizer. Pura consolação pois conquanto dizer tenha sido ruim, não falar ainda mais doloroso seria. As palavras que mais incomodam não são aquelas soltas no ar, livres, mas sim as presas na garganta, almejando liberdade.
Possuímos a necessidade de nos expressarmos, ilustrarmos nosso ponto de vista ao mundo. Seja via conversas, textos, imagens, músicas, esculturas ou qualquer instrumento existente. Não nos arrependemos própriamente das palavras ditas, pois estas eram nossos sentimentos expressos em línguagem acessível ao próximo. Nosso incômodo então reside-se no resultado obtido. Uma reação favorável por parte do intelocutor não viria a gerar peso na consciência.
As palavras permanecem em nosso íntimo quando deixamos de exprimir o que sentimos e permanecemos tácitos quanto ao que desejamos, ocasionando em dois prováveis resultados. O primeiro é as palavras acossarem ao passo que desvanecem e ao desaparecerem, deixarem veneno em nossos pensamentos, podendo gerar efeitos colaterais. O segundo é a libertação delas de forma descoordenada em um momento não apropriado.
São os únicos quadros possíveis? Não, existem outros desfechos, mas esses são os mais utilizados. Em ambos, o resultado não agrada e o incômodo persiste por ainda mais tempo do que os das palavras ditas. Concluí-se então de que devemos sempre dizer o que queremos, certo?
Certo, mas ainda assim não é o adequado. Nosso desejos devem ser levados em conta e serem reinvidicados, mas existem maneiras e maneiras. O que foi levantado previamente estava apenas olhando um lado da situação, o nosso. Expressar é uma ação que comumente envolve interlocutores e uma busca para alcançar um objetivo. Exclamar que a expressão não possui interesses é utopia.
Atingir uma meta visa convencer o outro. Para isso discursos persuasivos precisam ser utilizados (considerando que você não conheça telepatia :P). Logo, palavras não ditas devem ser evitadas. Despejar entretanto não é o recomendado, visto que elas podem estar sendo movidas por fortes sentimentos momentâneos e nada em demasia ou instável é ideal. Ser verdadeiro é bom, ser assaz verdadeiro não; um pouco de mistério atiça o alvo.
Não entenda isso como uma mensagem "seja frio e calculista". Entenda como é importante não desperdiçar as palavras que possui. Use-as bem e mesmo que tarde, o que não foi dito ainda pode vir a ser e o já falado pode-se tentar remediar. Não existe arma mais profunda que a palavra. Não foi o tiro fatal em Martin Luther King Jr. que é lembrado, mas sim o "Eu tenho um sonho."
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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2 comentários:
Poxa.. estava precisando ler isso. Me fez tão bem. Uma vez me disseram que palavras não voltam atrás. E é verdade. Então temos que pensar no que falar, apesar de ser bom expressar o que sentir. Mas nem sempre nos expressamos da forma adequada e no momento certo.
MUITO BOM ESSE SEU TEXTO!
=]
Seria mentira dizer que fiquei sem palavras para comentar esse texto, mas ao mesmo tempo estou sentindo que você já disse tudo.
Simplismente perfeito. Você mostrou exatamente os lados do cuidado e da emoção que as palavras têm, necessitam...
Muito bom mesmo... Estou impressionada !
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