domingo, 11 de janeiro de 2009

Sétimo Ato: Lembro-me de você!

Lembranças são curiosas. Imortalizamos algumas sequer entendendo seus brilhos, o que as fazem tão especiais. Alocamos os momentos mais importantes de nossas vidas contíguos aos acontecimentos ordinariamente cotidianos.

Interessante como o recordar funciona. Enquanto em filmes as personagens têm longos flashbacks, recheados de filtros coloridos, comigo ocorre pequenos flashes, quase como um recorte. Sim, está mais para um recorte. Esqueço os detalhes de toda a cena e tudo o que resta é o fato, a ação que selecionei para carregar por toda a vida entre as milhões que vivenciei e virei a vivenciar.

Apesar de serem recortes, admito que todas elas têm um pouco de Capitu (sequer consegui assistir um episódio inteiro de tão ruim que achei, mas admito que certas cenas são espetaculares e somente elas já seriam suficientes para justificar as ótimas críticas que recebeu), isso é, a magia presente em cada uma e serem completamente parciais. Por mais que jurem, não consigo acreditar em testemunho imparcial. Uma cena possui dezenas de pontos de vista diferentes, cada um podendo ou não possuir um significado exclusivo. Um gesto, uma entonação, uma visão parcial, tudo influencia e provoca diferentes sensações que também são reproduzidas nas memórias.

Sabemos de nossa existência pelas memórias de pessoas que tiveram contato conosco. "Penso, logo existo." Lembram, logo existi. O grande problema é quando somos apenas lembranças acompanhadas de um sorriso no rosto. É difícil recomeçar uma amizade depois de tanto tempo longe. Kant dizia: "A amizade é semelhante a um bom café, uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primitivo sabor." Ainda assim entretanto, busco degustar na esperança de com o tempo apreciar esse novo flavor.

Um comentário:

Quem sou eu: disse...

Lendo o seu blog eu comçei a refletir e me vieram várias coisas a cabeça. Eu estava precisando ler algo assim.
Muito legal mesmo! Continue assim.