Uma criança e seu pai tinham muito em comum. Não apenas fisicamente, mas também em modos, passavam a impressão de a genética ser realmente eficiente e parcial. Sua mãe, cujo amor movia montanhas, possuía uma personalidade contrastante. Ela, extrovertida e aventureira. Pai, simpático (não era introvertido mas tampouco era extrovertido) e calmo.
Passados alguns anos, a criança tornou-se aborresc...adolescente. A semelhança física com o pai manteve-se. Demasiadas vezes ao atender o telefone, era confundido com o pai. Curiosimente, sua personalidade também mudou (obviamente era outra pessoa agora, afinal, amadurecer faz parte de crescer... ou não :P), mas diferentemente do que ele mesmo pensava, se distanciou da personalidade calma de seu pai e sem sequer perceber, estava muito mais semelhante à mãe do que outrora. E seu pai, curiosamente também mudou, e talvez nem mesmo tenha percebido, tornando -se um pouco mais parecido com a mãe de seus filhos. Um exemplo disso, é seu gosto por comédias.
O pai e o filho, nunca foram muito fãs de comédia. Eram em seu cerne bobas demais para o intelecto (o pai, por saudosismo, ainda adorava as antigas séries de comédia que tomaram parte de sua infância, mas apenas essa excessão). De alguma forma, na concepção deles, inteligência teria sempre de estar ligada a algo sério, sendo a comédia então trivial e que não recompensava o tempo despendido.
O filho por curiosidade (e total falta do que fazer), em uma determinada época, assistiu todos os pilotos (primeiros episódios que testam a audiência) das novas séries televisivas em busca de algo interessante. De repente é surpreendido por uma série extremamente nerd, com um plot mongolóide e clichê mas que por acaso do destino e da competência, tornou-se um passatempo assaz agradável e conseguiu o que Friends, a famosa comédia que todos adoram, não conseguiu: fez o filho assistir junto com o pai uma comédia sem um dos dois sair no meio. O nome da comédia? The Big Bang Theory.
Perder o preconceito contra comédias e se divertir com algumas foi um feito incrível, mas considerar uma comédia algo genial já era exigir muito. Molière então, desafiador e genial na vida e na morte, apareceu e mudou tudo novamente.
Meio abrupta essa aparição do Molière não é? Talvez você até mesmo tenha pensado que Molière era a criança no inicio da história. Na moda de Lost, vamos dar um pequeno flashback dentro do flashback (se perdeu? Era a intenção, deixe fluir e apenas absorva as informações que no final tudo se encaixa).
No meio de tanta besteira cinematográfica e milionária, o cinema europeu ainda mantém seu charme perante Hollywood (parece que os americanos agora só sabem fazer séries). No meio do ano, o adolescente assistiu um filme que contava a história de um diretor/escritor/ator de teatro falido na Europa renascentista que após ser preso, consegue ser libertado por seu talento e é sustentado por um mecena (não sabe o que é? Vá estudar!). O filme é baseado na história do já famigerado (pelo menos nesses 3 últimos parágrafos) Molière e é interessante, engraçado e meu deus, inteligente!
Qual a surpresa então desse pobre rapaz, perdido em suas convicções, atordoado pelas mudanças de suas perspectivas (ahá, tinha que citar o nome do blog indiretamente) quando as salvadoras coleções de pocket books - com seus preços na medida para pobres estudantes sem mesada - possuíam em seu catálogo alguns livros do Mo.... (se eu repetir de novo o nome dele, dariam 0 em uma redação, ainda bem que estamos na internet). De assalto, o livro "As Eruditas" (do original Les femmes savantes) é comprado e lido rapidamente pelo apressado e curioso garoto.
E no final, será que as expectativas foram cumpridas ou até mesmo superadas? Ou a desilusão irá novamente bater a porta de Manuel José? Maria Joaquina estaria mesmo grávida? Continua no próximo episódio....
Brincadeira, é que curiosamente esse post ficou maior do que jamais eu poderia sonhar (sou um blogger tagarela O.O).
Bem, não é preciso muito para ter sacado que o garoto era eu. E agora, falando e colocando minha integridade em risco, comédia pode sim ser genial. A peça é incrivelmente interessante, com seus diálogos rápidos e afiados, engraçada e crítica. Inclusive, uma citação que ecoou em minha cabeça durante toda a leitura é: (o original não é assim mas não lembro como era exatamente) aquele que muito lê e se gaba por isso tem pouco tempo para pensar e ter suas próprias idéias.
Destaco também a tradução do Millôr.
E chega de escrever, acabou a tinta da caneta.
sábado, 13 de dezembro de 2008
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Um comentário:
E não é que de tanto ler l&pm pocket o desenhista/designer/ping-pong player virou também blogueiro(e dos bons!)
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